Por Vivi Gracias
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3 de novembro de 2026
Sentimento de pertencimento nas empresas: como criar equipes mais conectadas Pertencer é diferente de simplesmente estar presente. Uma pessoa pode ocupar a mesma cadeira durante anos, participar de reuniões, cumprir metas e ainda assim sentir que não faz parte daquele ambiente. O sentimento de pertencimento aparece quando o profissional percebe que existe espaço para sua participação, que suas ideias são consideradas, que suas relações têm significado e que ele consegue reconhecer a si mesmo dentro da cultura da organização. Essa sensação não é construída por uma única campanha. Ela se desenvolve ao longo de muitas experiências: a forma como alguém é recebido no primeiro dia, como gestores escutam suas opiniões, como colegas colaboram, como diferenças são tratadas, como conquistas são reconhecidas e até como a empresa reage quando alguma coisa dá errado. A própria SHRM define pertencimento como uma dimensão importante da experiência de trabalho, relacionada à sensação de ser valorizado e de que ideias e contribuições realmente importam . Em seu material sobre o tema, a organização também chama atenção para fatores como segurança emocional, confiança nos gestores e abertura para comunicação. Isso não significa que todas as pessoas precisem se tornar amigas ou que o ambiente de trabalho deva substituir a vida social de alguém. Pertencimento está mais próximo da sensação de “eu tenho espaço aqui” . E, quando uma empresa consegue criar esse tipo de ambiente, as relações entre pessoas e equipes tendem a ganhar outra qualidade. O que é sentimento de pertencimento no trabalho? Sentimento de pertencimento é a percepção de que uma pessoa é aceita, respeitada e valorizada dentro de determinado grupo. No ambiente corporativo, isso significa sentir que existe espaço para contribuir, participar de decisões, expressar opiniões, construir relações e fazer parte de algo maior do que a própria função. A Gallup resume pertencimento como a experiência de se sentir respeitado, acolhido e valorizado . Essa definição ajuda a mostrar que pertencimento não depende apenas de proximidade social. Um profissional pode não ter relações pessoais muito próximas com todos os colegas e, ainda assim, sentir que faz parte da equipe porque existe respeito, confiança e espaço para participação. Por outro lado, trabalhar em uma empresa há muitos anos não garante pertencimento. Tempo de casa e conexão não são a mesma coisa. Uma pessoa pode ter uma longa trajetória dentro da organização e ainda sentir que suas opiniões não são ouvidas, que seu trabalho passa despercebido ou que determinados grupos possuem mais espaço que outros. Por isso, pertencimento precisa ser analisado como parte da experiência real do colaborador, e não apenas como consequência natural de estar em uma equipe. Por que pertencimento importa para as empresas? Pessoas passam uma parte significativa de suas vidas trabalhando. Durante esse tempo, precisam trocar informações, resolver problemas, pedir ajuda, discordar, aprender e construir coisas com outras pessoas. Quando existe conexão, essas interações tendem a acontecer com mais confiança. Quando não existe, tarefas simples podem se tornar mais difíceis. Um profissional que não se sente parte da equipe pode evitar perguntar por medo de julgamento, deixar de compartilhar uma ideia, permanecer em silêncio diante de um problema ou reduzir sua participação ao mínimo necessário. Por isso, pertencimento não deveria ser tratado apenas como uma questão emocional. Ele também interfere na maneira como o trabalho acontece. O Global Workplace Culture Report 2026, da SHRM, analisou 27.159 trabalhadores em 25 países, incluindo o Brasil, e identificou que culturas caracterizadas por relações mais abertas, coletivas e estruturas menos centralizadas apresentavam maior probabilidade de favorecer sentimento de pertencimento . O estudo também ressalta que não existe uma única cultura ideal para todas as organizações, mas mostra uma associação relevante entre determinados padrões de relacionamento e a experiência das pessoas. A conclusão prática não é que toda empresa precise adotar exatamente o mesmo modelo. É que conexão não acontece por acaso. Ela é influenciada pela forma como a organização estrutura relações, comunicação e participação. Pertencimento começa na entrada do colaborador Os primeiros dias em uma empresa ajudam a definir se a pessoa começa sua jornada tentando descobrir sozinha como aquele ambiente funciona ou se existe alguém preparado para integrá-la. Uma agenda organizada, apresentações para a equipe, acesso às ferramentas, clareza sobre o papel e uma boa recepção são sinais pequenos, mas importantes. O novo colaborador ainda não conhece a cultura. Ele a interpreta. Cada interação inicial responde silenciosamente a algumas perguntas: as pessoas sabiam que eu chegaria? Existe espaço para mim? Posso pedir ajuda? Alguém espera minha contribuição? Por isso, onboarding é um dos primeiros momentos em que pertencimento pode começar a ser construído. Um kit de boas-vindas pode contribuir como parte dessa experiência, principalmente quando mostra que a chegada foi preparada. Mas o efeito depende daquilo que acontece ao redor. Uma caixa bonita entregue a uma pessoa que passa o primeiro dia sem conseguir acessar o sistema ou sem conversar com o gestor dificilmente cria conexão. Para aprofundar esse tema, veja também “Kit de onboarding: como receber novos colaboradores e fortalecer o pertencimento desde o primeiro dia” . O gestor influencia diretamente a sensação de fazer parte Em muitas empresas, a cultura institucional é apresentada pelo RH, mas é vivida principalmente através do gestor. É na relação com a liderança imediata que o colaborador entende se pode fazer perguntas, admitir erros, discordar, pedir ajuda ou compartilhar uma ideia ainda incompleta. Um gestor que escuta apenas algumas pessoas pode criar, mesmo sem intenção, grupos mais próximos e outros mais distantes. Um gestor que abre espaço para participação ajuda a distribuir essa sensação de importância. A pesquisa da SHRM sobre pertencimento mostra que um em cada quatro trabalhadores norte-americanos pesquisados dizia não confiar que seu gestor os trataria de forma justa, enquanto pouco mais de um em cada quatro afirmava não se sentir emocionalmente seguro no trabalho . Esses dados são específicos dos Estados Unidos e não devem ser generalizados automaticamente para todos os mercados. Ainda assim, ilustram como confiança e sensação de segurança estão próximas da discussão sobre pertencimento. Não basta dizer que todos fazem parte. As pessoas precisam perceber isso na maneira como são tratadas. Ser ouvido é uma das formas mais importantes de pertencimento Imagine participar de uma reunião durante meses e perceber que sua opinião nunca é solicitada. Ou compartilhar uma ideia que não recebe nenhuma resposta, enquanto sugestões semelhantes ganham atenção quando partem de outra pessoa. Poucas experiências comunicam distanciamento tão claramente. Pertencer não significa que todas as ideias precisam ser aceitas. Significa que existe espaço para apresentá-las. A Gallup identificou que profissionais que afirmam que suas opiniões contam no trabalho apresentam indicadores melhores em diferentes dimensões da experiência, e esse elemento faz parte do Q12, seu modelo de avaliação de engajamento . Em outra análise, a organização observou que colaboradores que dizem que sua opinião conta no trabalho apresentam menor probabilidade de relatar solidão profissional. A relação não permite dizer que ser ouvido elimina isolamento, mas reforça a importância da participação para a experiência de conexão. Para gestores, isso pode começar de forma simples. Perguntar não apenas “alguém tem alguma dúvida?” , mas “o que vocês estão vendo que talvez eu não esteja vendo?” cria outro tipo de conversa. Conexão entre colegas também faz diferença Relacionamentos no trabalho não precisam ser íntimos para serem importantes. Ter alguém com quem conversar, pedir ajuda, compartilhar uma dúvida ou trocar ideias reduz a sensação de enfrentar todos os desafios sozinho. A Gallup pesquisa há décadas a relação entre vínculos no trabalho e engajamento. Em seu modelo Q12, apenas três em cada dez profissionais globalmente concordam fortemente que possuem um melhor amigo no trabalho . O termo “melhor amigo” pode soar incomum em uma pesquisa corporativa, mas a própria Gallup explica que a pergunta busca identificar relações de confiança e conexão profunda, e não apenas a existência de conhecidos no escritório. Pesquisas mais recentes da organização continuam encontrando uma associação forte entre esse tipo de vínculo e engajamento. Em um relatório sobre relações profissionais baseado em uma meta-análise com mais de 180 mil equipes, a Gallup afirma que profissionais que possuem um melhor amigo no trabalho são sete vezes mais propensos a estarem engajados . Esse resultado não significa que empresas devam obrigar funcionários a formar amizades. Relações genuínas não funcionam assim. O papel da organização é criar condições para que elas possam surgir. Empresas não conseguem obrigar pessoas a se conectar Happy hour obrigatório não cria amizade. Dinâmica de integração obrigatória também não garante conexão. Esse é um ponto importante porque algumas iniciativas de cultura acabam tentando produzir pertencimento através de eventos isolados. Eventos podem ajudar. Mas pertencimento aparece principalmente quando relações conseguem se desenvolver de maneira natural ao longo da rotina. A própria Gallup recomenda que gestores criem tempo e oportunidades para que as pessoas se conheçam e construam vínculos, sem tratar amizade como uma obrigação . Isso pode acontecer em projetos compartilhados, mentorias, conversas entre áreas, cafés, rituais de equipe ou momentos informais. A diferença está na frequência e na autenticidade. Uma equipe que passa o ano inteiro sem conversar e realiza uma dinâmica de integração em dezembro provavelmente terá uma experiência diferente daquela que possui pequenos espaços de conexão durante todo o ano. Pertencimento é construído entre os eventos. Segurança psicológica ajuda as pessoas a participarem Uma equipe pode estar fisicamente reunida e ainda assim ter pouca conexão. Isso acontece quando as pessoas sentem que precisam avaliar cuidadosamente tudo o que dizem antes de participar. Se um erro resulta automaticamente em exposição, se uma dúvida é tratada como incompetência ou se discordar do gestor traz consequências negativas, os profissionais aprendem rapidamente a ficar em silêncio. Ambientes de confiança não eliminam cobrança. Eles permitem que pessoas participem sem sentir que cada interação representa um risco desproporcional. A pesquisa da SHRM sobre pertencimento identificou que 27% dos trabalhadores norte-americanos pesquisados não consideravam que seu ambiente oferecia claramente oportunidades para discutir questões de forma aberta sem medo de punição ou retaliação . Novamente, o dado não representa todos os trabalhadores globalmente. Mas ajuda a mostrar por que pertencimento e segurança emocional costumam aparecer próximos. Uma pessoa dificilmente sente que pertence a um ambiente em que precisa esconder constantemente aquilo que pensa. Reconhecimento mostra que a contribuição de alguém foi percebida Pertencimento também está relacionado a sentir que existe espaço para contribuir. É difícil desenvolver essa sensação quando o trabalho realizado nunca recebe qualquer retorno. Reconhecimento ajuda a comunicar que determinada pessoa não está apenas ocupando uma função: existe uma contribuição sendo percebida. Isso pode acontecer por meio de feedback do gestor, agradecimento de colegas, celebração de conquistas, oportunidades de desenvolvimento ou experiências criadas para marcar momentos importantes. Não precisa existir um presente em todas as situações. O que importa é que a mensagem seja específica. Em uma pesquisa longitudinal da Gallup e Workhuman, profissionais que receberam reconhecimento de alta qualidade apresentaram uma probabilidade 45% menor de terem deixado suas organizações dois anos depois . Esse resultado mostra uma associação relevante, mas não significa que reconhecimento sozinho determine retenção, que também depende de remuneração, liderança, carreira, condições de trabalho e outros fatores. Para aprofundar essa relação, veja também “Reconhecimento no trabalho: como valorizar colaboradores além do salário” . Pertencimento não significa que todas as pessoas precisam ser iguais Existe uma diferença importante entre integração e homogeneização. Uma equipe conectada não precisa pensar da mesma maneira, ter os mesmos interesses ou compartilhar as mesmas experiências. Na verdade, uma cultura muito baseada em “ser parecido” pode dificultar o pertencimento de quem chega com outra trajetória. A pessoa começa a perceber que existe um modelo não escrito de comportamento necessário para ser aceita. Por isso, pertencimento saudável combina duas sensações: “faço parte deste grupo” e “posso continuar sendo quem sou dentro dele.” A SHRM destaca no Global Workplace Culture Report 2026 que culturas mais abertas e coletivas tendem a apresentar melhores indicadores de pertencimento e inclusão . A pesquisa também mostra que culturas organizacionais variam entre países, setores e tamanhos de empresa, reforçando que não existe uma única forma correta de construir conexão. O objetivo não é produzir equipes iguais. É criar equipes nas quais diferenças consigam coexistir com uma identidade coletiva. A cultura precisa aparecer no cotidiano Valores escritos são importantes. Mas cultura é aquilo que acontece quando nenhuma apresentação institucional está aberta. Se uma empresa diz valorizar colaboração, mas recompensa apenas competição individual, existe uma mensagem contraditória. Se afirma que as pessoas têm voz, mas decisões nunca são explicadas, o discurso perde força. Se fala sobre pertencimento, mas novas pessoas demoram meses para compreender como participar, existe outra distância. A cultura organizacional se torna real através desses pequenos sinais. O Global Workplace Culture Report 2026 da SHRM mostra justamente que cultura é formada por práticas, estruturas e relações que influenciam a maneira como pessoas trabalham e interagem . Isso ajuda a tirar cultura do campo abstrato. Pertencimento não é um benefício oferecido pela empresa. É uma consequência da maneira como a cultura é vivida. Rituais de equipe ajudam a criar identidade coletiva Toda equipe desenvolve rituais, mesmo quando ninguém os planeja. A reunião de segunda-feira, o café depois de uma entrega, a mensagem enviada quando alguém completa um ano, a forma como um novo profissional é apresentado ou a comemoração de uma grande conquista acabam construindo memória coletiva. Quando esses rituais são pensados com intenção, podem ajudar a fortalecer identidade. Não precisam ser grandes eventos. Um encontro mensal para compartilhar aprendizados pode criar conexão. Uma celebração depois da conclusão de um projeto pode reconhecer o coletivo. Uma tradição relacionada ao aniversário da empresa pode ajudar a reforçar história e cultura. O cuidado é evitar rituais que funcionem apenas para quem já está integrado. Se sempre as mesmas pessoas participam, falam ou são reconhecidas, o ritual pode reforçar grupos em vez de aproximá-los. A pergunta útil é: esse momento ajuda mais pessoas a se sentirem parte ou apenas celebra quem já ocupa o centro? Presentes corporativos podem representar pertencimento Um objeto não cria pertencimento. Mas pode representar uma experiência de pertencimento. É uma diferença importante. Quando alguém chega à empresa e recebe um kit preparado para sua entrada, o significado pode estar menos na garrafa ou no caderno e mais na mensagem de que aquela chegada foi considerada. Quando uma equipe conclui um grande projeto e recebe algo criado para marcar aquele momento, o produto se torna uma lembrança de uma conquista coletiva. Quando um colaborador completa dez anos de empresa e recebe uma experiência relacionada à própria trajetória, o presente materializa uma história que já existe. Nesse contexto, gifting corporativo funciona como uma extensão da cultura. Ele não precisa dizer “você pertence” . Precisa representar situações em que a pessoa realmente sentiu isso. Para entender melhor como experiências físicas influenciam percepção, veja também “Experiência de marca: como presentes corporativos fortalecem a percepção da empresa” . Trabalhar remoto não elimina a necessidade de conexão A distância muda a forma como relacionamentos são construídos. No escritório, algumas interações acontecem espontaneamente. Alguém comenta sobre um projeto no corredor, pede ajuda ao colega da mesa ao lado ou entra em uma conversa durante o almoço. No trabalho remoto, muitas dessas oportunidades desaparecem. A pessoa pode passar dias alternando entre reuniões e tarefas sem ter conversas que não estejam diretamente ligadas a uma pauta. Isso torna a criação de espaços de conexão ainda mais importante. A Gallup observou que a relação entre ter um melhor amigo no trabalho e resultados importantes se tornou ainda mais forte durante o período de expansão do trabalho remoto e híbrido . Segundo a organização, relações próximas funcionam como fonte de apoio social, comunicação e conexão com a cultura. Isso não significa tentar reproduzir virtualmente cada interação do escritório. Uma equipe remota precisa encontrar seus próprios rituais. Conversas individuais, reuniões menores, encontros presenciais ocasionais, canais informais e projetos colaborativos podem ajudar. O objetivo não é aumentar o número de reuniões. É aumentar a qualidade das relações. Equipes híbridas precisam evitar dois níveis de pertencimento Um dos riscos do modelo híbrido é criar uma cultura para quem está no escritório e outra para quem está distante. Quem está presencialmente pode participar de conversas espontâneas, receber informações informalmente e desenvolver relações mais próximas com lideranças. Quem trabalha remotamente pode acabar descobrindo decisões depois. Mesmo sem intenção, essa diferença gera sensação de periferia. Para reduzir esse risco, informações importantes precisam circular de forma estruturada. Reuniões devem considerar participantes remotos de maneira real, e oportunidades de reconhecimento, desenvolvimento e participação não podem depender exclusivamente da presença física. O mesmo vale para experiências. Se uma celebração acontece no escritório, vale pensar em como profissionais remotos também serão incluídos. Pertencimento não deveria depender de quantos quilômetros existem entre alguém e a sede. Silos entre departamentos também enfraquecem pertencimento Uma pessoa pode se sentir extremamente conectada à própria equipe e completamente distante da empresa. Isso acontece quando departamentos funcionam como pequenas organizações independentes. Marketing não conhece Vendas. Vendas não entende Operações. Operações quase nunca conversa com RH. Quando surge um problema, a tendência é pensar em “nós” e “eles”. Criar conexão entre áreas ajuda a ampliar o sentimento de pertencimento da equipe para a organização. Projetos interdisciplinares, apresentações entre departamentos, programas de mentoria e encontros entre áreas podem ajudar a mostrar como diferentes funções contribuem para o mesmo resultado. Essa compreensão também reforça propósito. Quando alguém percebe onde seu trabalho começa e onde a contribuição de outras pessoas continua, a organização deixa de parecer um conjunto de departamentos isolados. Ela começa a parecer um sistema do qual aquela pessoa faz parte. Propósito ajuda a conectar trabalho individual e resultado coletivo Pertencer também significa entender para onde o grupo está indo. Um profissional pode cumprir tarefas perfeitamente e ainda sentir pouca conexão se não consegue compreender por que aquilo importa. Propósito não precisa ser uma grande frase inspiradora. Às vezes, ele aparece de maneira muito concreta. Uma equipe de atendimento entende como seu trabalho influencia a experiência dos clientes. Uma pessoa de logística percebe como sua organização permite que projetos aconteçam. Uma equipe financeira compreende como suas decisões sustentam o crescimento. Quando lideranças explicam contexto, trabalho deixa de ser apenas uma sequência de tarefas. A pessoa consegue enxergar sua contribuição dentro de algo maior. Esse tipo de conexão também ajuda a tornar reconhecimento mais específico, porque o gestor consegue mostrar não apenas o que foi feito , mas por que aquilo foi importante para a equipe ou para a empresa . Conexão não deve depender apenas de afinidade pessoal Existe um risco em equipes muito baseadas em amizade. Grupos de afinidade surgem naturalmente, mas podem criar círculos difíceis de acessar para quem chega depois. Pessoas que estudaram juntas, trabalham presencialmente ou possuem interesses semelhantes podem desenvolver relações mais próximas. Isso não é um problema por si só. O problema surge quando acesso a informações, oportunidades ou influência passa a depender dessas relações. Pertencimento precisa existir também para quem não faz parte dos grupos mais próximos. Por isso, processos importantes devem ser transparentes, oportunidades devem ser comunicadas de maneira ampla e gestores precisam observar quem participa e quem permanece sempre fora das conversas. Uma cultura conectada não elimina afinidades. Ela evita que afinidade seja requisito para ter espaço. Como perceber que uma equipe está perdendo conexão? Nem sempre desconexão aparece como um grande conflito. Às vezes, ela aparece em silêncio. As mesmas pessoas falam nas reuniões. Interações entre áreas diminuem. Profissionais deixam de pedir ajuda. Novos colaboradores demoram muito para se integrar. As conversas se tornam exclusivamente operacionais. Também pode aparecer em pesquisas internas. Perguntas sobre confiança, reconhecimento, participação, relações com colegas e intenção de permanecer ajudam a identificar sinais. O State of Global Workplace Culture 2024, da SHRM, analisou 17.234 trabalhadores de 19 países e encontrou diferenças importantes na percepção de cultura entre países e também entre executivos e colaboradores individuais . Esse último ponto merece atenção. Lideranças podem enxergar uma cultura muito diferente daquela vivenciada por quem está na operação. Por isso, perguntar é melhor do que assumir. Como medir sentimento de pertencimento? Pertencimento é subjetivo, mas pode ser acompanhado. Pesquisas de clima ou pulse surveys podem incluir perguntas como: “Sinto que minhas opiniões são consideradas”, “Sinto que posso ser eu mesmo no trabalho”, “Tenho relações de confiança dentro da equipe”, “Sinto que faço parte desta organização” . Nenhuma pergunta isolada conta toda a história. O mais útil é observar padrões. Existem diferenças entre áreas? Novos colaboradores respondem de forma diferente de pessoas com mais tempo de casa? Profissionais remotos apresentam percepção diferente de quem trabalha presencialmente? Também vale combinar pesquisas com conversas e dados qualitativos. Números mostram onde existe um problema. As pessoas ajudam a explicar por quê. Como fortalecer pertencimento na prática? Não existe uma única campanha capaz de transformar uma cultura. O caminho costuma estar em pequenas decisões repetidas. Receber bem quem chega. Criar espaços reais de participação. Preparar gestores para ouvir. Reconhecer contribuições de forma específica. Garantir que informações importantes circulem. Aproximar áreas. Criar rituais de equipe. Observar quem não está participando. Também é importante desenvolver experiências que façam sentido em diferentes momentos da jornada. Onboarding pode ajudar no início. Reconhecimento fortalece a percepção de valor. Tempo de casa celebra trajetória. Conquistas coletivas criam memória. Eventos aproximam pessoas. O calendário de endomarketing pode ajudar a organizar parte dessas oportunidades. Veja também “Calendário de endomarketing: quais datas usar para reconhecer e engajar colaboradores ao longo do ano” . Mas pertencimento não pode depender apenas do calendário. Ele precisa existir entre uma ação e outra. Como o Gracias pode participar dessa construção? Sentimento de pertencimento nasce principalmente das relações e da cultura. Um presente não substitui isso. Mas experiências físicas podem ajudar empresas a representar momentos importantes dessa relação. O Gracias desenvolve projetos personalizados para onboarding, reconhecimento, tempo de casa, celebrações de equipes, eventos internos e outras ocasiões da jornada dos colaboradores. A partir do objetivo da ação, é possível trabalhar curadoria de produtos, personalização, embalagem, mensagem, montagem e logística de entrega para equipes presenciais, híbridas ou distribuídas. O ponto de partida não precisa ser “qual produto vamos entregar?” . Pode ser: “qual momento queremos que essa pessoa lembre como parte da sua história dentro da empresa?” Quando essa resposta está clara, o gifting deixa de ser apenas uma entrega. Ele passa a representar uma experiência que já tem significado. Pertencimento é construído quando as pessoas percebem que existe espaço para elas Uma equipe conectada não é aquela em que todo mundo concorda. Também não é aquela que realiza mais eventos ou possui mais iniciativas de integração. É aquela em que as pessoas conseguem participar. Elas sabem a quem pedir ajuda, sentem que suas opiniões podem ser expressas, entendem como contribuem para os resultados e percebem que seu trabalho é reconhecido. A pesquisa mais recente da SHRM com 27.159 trabalhadores em 25 países reforça justamente a relação entre culturas abertas e colaborativas e maior sensação de pertencimento . Isso não cria uma fórmula universal. Cria uma direção. Pertencimento não é produzido por uma frase na parede. Ele aparece quando, ao longo da rotina, uma pessoa recebe sinais suficientes para concluir: “eu não apenas trabalho aqui. Eu faço parte daqui.” Quer criar experiências que aproximem sua equipe? O Gracias ajuda empresas a transformar momentos importantes da jornada dos colaboradores em experiências personalizadas de onboarding, reconhecimento e celebração. Fale com o Gracias e conte para a gente qual momento sua empresa quer transformar em uma experiência de conexão. Perguntas frequentes sobre sentimento de pertencimento nas empresas P: O que é sentimento de pertencimento no trabalho? R: É a percepção de que uma pessoa é aceita, respeitada, valorizada e possui espaço para participar dentro da organização. A Gallup descreve pertencimento como a sensação de ser respeitado, acolhido e valorizado , o que envolve tanto relações quanto a forma como a pessoa percebe sua participação na equipe. P: Por que pertencimento é importante para as empresas? R: Porque a sensação de fazer parte pode influenciar a maneira como profissionais participam, colaboram e se relacionam com a organização. O Global Workplace Culture Report 2026 da SHRM encontrou associações entre culturas mais abertas e coletivas e maiores níveis de pertencimento e inclusão . P: Pertencimento e engajamento são a mesma coisa? R: Não. São conceitos relacionados, mas diferentes. Engajamento envolve a relação do profissional com seu trabalho e sua disposição para contribuir, enquanto pertencimento está ligado à percepção de ser aceito e fazer parte do grupo. Um pode influenciar o outro, mas não são equivalentes. P: Ter amigos no trabalho realmente faz diferença? R: Relações próximas aparecem associadas a diferentes aspectos da experiência profissional. A Gallup afirma que profissionais que possuem um melhor amigo no trabalho são sete vezes mais propensos a estarem engajados . Isso não significa que empresas devam obrigar pessoas a criar amizades, mas reforça o valor de oferecer condições para que vínculos possam se desenvolver naturalmente. P: Como gestores podem fortalecer pertencimento? R: Criando espaço para participação, oferecendo feedback, tratando pessoas de forma justa, explicando decisões, reconhecendo contribuições e observando quem tende a permanecer fora das conversas. A liderança tem um papel importante porque grande parte da cultura é vivida através das interações cotidianas com o gestor. P: Trabalho remoto prejudica o sentimento de pertencimento? R: Não necessariamente, mas muda a forma como conexão é construída. Equipes remotas possuem menos interações espontâneas, por isso precisam criar intencionalmente espaços para conversas, colaboração e integração. A Gallup observou que vínculos profissionais próximos continuaram fortemente relacionados a resultados de engajamento mesmo com a expansão do trabalho remoto e híbrido . P: Reconhecimento ajuda a criar pertencimento? R: Pode contribuir porque demonstra que determinada pessoa e sua contribuição foram percebidas. Reconhecimento funciona melhor quando é específico, autêntico e conectado a uma situação real, e não apenas como uma ação automática. P: Eventos de integração criam pertencimento? R: Podem ajudar, mas não são suficientes sozinhos. Pertencimento é construído principalmente ao longo da rotina, através de relações, confiança, participação, reconhecimento e tratamento justo. Um evento pode criar oportunidades de conexão, mas precisa estar conectado a uma cultura coerente. P: Como medir pertencimento na empresa? R: Pesquisas de clima e pulse surveys podem avaliar percepção de participação, confiança, conexão, reconhecimento e segurança para expressar opiniões. É importante comparar grupos e complementar os números com conversas qualitativas, já que pertencimento é uma experiência subjetiva. P: Presentes corporativos podem fortalecer pertencimento? R: Podem funcionar como parte de uma experiência maior. Um kit de onboarding, um presente de tempo de casa ou uma entrega criada para celebrar uma conquista coletiva pode materializar uma mensagem de valorização. O presente, porém, não cria pertencimento sozinho; ele funciona melhor quando representa uma cultura que já demonstra cuidado e conexão na prática. P: O Gracias desenvolve ações voltadas para conexão e pertencimento? R: Sim. O Gracias desenvolve projetos personalizados para onboarding, reconhecimento, tempo de casa, celebrações de equipe e outros momentos da jornada do colaborador, podendo cuidar da curadoria dos produtos, personalização, embalagem, montagem e logística.